O mundo seria um lugar muito melhor de se viver se a camaradagem pagasse as contas em dia e fotógrafos soubessem desenhar mapas.
Ontem, juntamente com a sra. minha noiva, dei um pequeno passeio por Curitiba e, já que a rede de transporte é integrada, porque não também, a região metropolitana. Estamos em busca de pessoas qualificadas para tirar fotos e fazer a gravação do vídeo do casamento. Um estúdio perto do centro, um um pouco mais afastado e então, deixamos o mais longe deles para o final. Acabamos nos enrolando um pouco vendo o vídeo de casamento no segundo estúdio. Não que o vídeo fosse maravilhoso e nos prendesse a atenção pelos seus belos efeitos de transição de cenas inspirados em estonteantes (ou seriam nauseantes?) apresentações de Power Point, mas, em verdade vos digo, fiquei abismado com a quantidade de coisas toscas que acontecem em um vídeo de casamento e adiciono: para que serve a tal "edição" do vídeo se o suposto profissional qualificado simplesmente converteu a gravação para DVD e montou um menu de vídeo com tantos recursos quanto os fornecidos no Nero 6? E nem adianta dizer que essas coisas toscas é que são engraçadas e boas de se lembrar, duvido que os pais da moça do vídeo sintam orgulho da cena em que ela vira uma taça de champagne como se fosse a primeira vez na vida que ela bebia a iguaria (
maybe?) ou a cena seguinte em que o cinegrafista não foi rápido o suficiente para vê-la furtando algo da mesa do bolo mas conseguiu captar o sofrimento / deleite da moça com um doce tão grande quanto uma bola de tênis de mesa na boca.
Enfim, depois de intermináveis minutos de um vídeo maçante que foi um ótimo exemplo de "como não proceder em seu casamento", nos dirigimos para a terra sem lei, a região metropolitana da capital paranaense, mais precisamente, a província de São José dos Pinhais.
Quando conseguimos entrar em um ônibus (depois de outros dois terem saído lotados) fomos devidamente "aquecidos" pelos outros passageiros com todo o calor (e também odor) humano disponível em uma interminável jornada. Quando finalmente chegamos no terminal de ônibus o qual era nosso destino, pus-me a interpretar o mapa impresso no verso do cartão de visitas do senhor fotógrafo. Consegui identificar três dos três pontos de referências disponíveis pela rua a qual decidi seguir e isso fez com que eu me sentisse uma pessoa totalmente capaz de seguir um mapa. Tendo isso em mente, iniciamos o percurso de
UMA quadra que o tal mapa indicava. Infelizmente o mapa não estava em escala e o vilarejo de São José dos Pinhais nos reservava uma pequena surpresa. Pequena não, grande, enorme surpresa. O tamanho das malditas quadras. Se
16 Blocks com Bruce Willis tivesse sido filmado no acampamento de São José dos Pinhais, o filme teria tornado-se uma trilogia aos moldes de Senhor dos Anéis, só que ainda mais extensa. Depois de percorrer o equivalente a umas 5 ou 6 quadras de uma cidade normal, resolvi ligar para o fotógrafo e o sujeito me informa que devo continuar seguindo em frente pela rua. Olho para o relógio e então novamente para o mapa. "Devo ter feito algo errado", pensei com meu zíper, mas não, estava tudo certo. O mapa indicava que devíamos entrar na primeira rua à direita e assim, seguimos caminhando por uma distância igual à já percorrida até encontrarmos uma interseção a qual finalmente puder virar à direita e, para minha surpresa, não era a rua correta. Puta-que-o-pariu, foi a primeira coisa que pensei. Filho-da-puta-que-não-sabe-desenhar-um-mapa foi a segunda. Havia um mercado no meio do caminho e, contradizendo todos os princípios masculinos, solicitei informações. O ser vivente que mingua seus dias atrás do balcão da modesta mercearia de secos e molhados me apontou um prédio de cerca de três andares o qual eu só conseguia ver a caixa d'água e me disse que alí era o
lugar onde nenhum homem jamais esteve último ponto de referência antes do estúdio do tal fotógrafo. Ao chegarmos, Clementine teve de me segurar quando o fotógrafo fez aquela cretina pergunta: "E aí? Acharam fácil?".
Ao menos, a jornada se mostrou proveitosa já que o cara que não sabe desenhar um mapa nos apresentou melhores serviços e preços dos que os vistos anteriormente e a forma de pagamento pode ser considerada como tentadora. Ainda temos um ou dois outros estúdios para visitar, os quais eu já me certifiquei de verificar a localização através do Google Maps, coisa que nunca mais vou deixar de fazer.
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