Eu já devia esperar por isso, não se pode duvidar das profecias, mas acabei ignorando o fato. Uns dias antes meu pai liga para oficializar o convite, já em cima da hora. Fui para a rodoviária comprar as passagens e no sábado pela manhã, lá estávamos eu e a patroa indo mais uma vez para Telêmaco Borba. Depois de empurrar goela abaixo um café da manhã que encaramos na rodoviária, estávamos prontos para aguentar a viagem de 4 horas. Como na metade da viagem havia uma parada prevista em Ponta Grossa, imaginei que poderíamos fazer mais algum lanche e evitar chegar como dois retirantes famintos. O ônibus foi direto, bem Classe Média Way of Life.
Chegamos por volta de duas da tarde, minha mãe na rodoviária nos esperando. Cumprimentos, long time no see e rumamos direto para uma pastelaria no centro da cidade para matar a fome que nos consumia, um lanche no capricho, mais um e umas cervejas para nos preparar para a bomba.
Minha mãe fala, na maior alegria: “Hoje tem baile!”
E eu deveria ter soltado um: “E eu com isso?”
Mas eu imaginei que ela, após ter comprado uma mesa para o baile, não gostaria de ouvir um estrondoso e mimado não como resposta. Além do mais, minha mulher não gostaria nem um pouco de ficar de molho em casa no sábado à noite. Sim, a vida é uma caixinha de surpresas e sem saber o que o destino nos reservava, fomos às compras.
O baile era à noite e ainda tínhamos algum tempo livre. Era hora de cumprir uma antiga promessa. Levar a mulher para passear no bonde aéreo. Uma das inúmeras A maravilha turística de Telêmaco Borba. Com vários kilometros de cabo, dois bondes, muitas mortes, um percurso percorrido em 3 minutos e alguma coisa e vários outros números para impressionar os turistas, compramos os tickets e aguardamos a próxima saída do bonde.
Voltamos e então fomos para casa da minha mãe, nos preparar para o tal baile com o maravilhoso Grupo Rodeio. Bem, não é segredo pra ninguém que eu não gosto nem um pouco de música gaúcha, mas devido às circunstâncias, estava disposto a tolerar. O agravante: por descuido, acabei esquecendo de levar uma blusa para aguentar o frio da madrugada e como não eram muitas as pessoas dispostas a sair num sábado à noite para ir à um baile onde um anão de bombacha toca uma gaita quase maior que ele, o pavilhão onde aconteceu o show não ficou lá muito cheio, tornando a experiência ainda mais emocionante.
Por fim, algo que geralmente é o que acaba com a alegria da festa, para mim, foi a salvação. Eram mais de quatro da manhã quando um dos amigos da minha mãe, que depois de entornar “uns uíxqui”, “tomou um fogo dos brabo”, não aguentava mais ficar em pé e minha mãe foi summonada para dirigir o carro do digníssimo colega. Yep, um bêbado estraga festa me trouxe esperanças de chegar à uma cama quentinha mais cedo. Bem, não tão cedo assim, já que o colega mora na região próxima ao rio Tibagi. Minha mãe dirigindo o carro da frente, eu e a Clem mais minha irmã e o namorado no carro de trás, curva atrás de curva e um zigue-zague filhodaputa que mais se assemelhava as cut scenes de Need for Speed Carbon. Eu ainda não estava em casa, mas ao menos dentro do carro não estava o frio glacial que fazia lá fora.
E o motivo da viagem foi o evento de domingo, quando acordamos tarde e fomos para a casa do meu pai onde aconteceram as comemorações pelo aniversário da minha irmã (que foi no dia seguinte).
A viagem de retorno estava programada para o final da tarde de domingo, mas como minha mãe havia planejado um pequeno churrasco para a segunda-feira, transferimos as passagens para o dia seguinte para aproveitar mais um dia de carne e cerveja.
Alguns dias depois de retornar minha irmã confidenciou à Clem que meu pai ficou um pouco chateado por eu ter passado pouco tempo lá na casa dele e, fuck it, afinal, geralmente eu passo mais tempo na casa dele, acho que eu devia um pouco à minha mãe. E como a próxima viagem só deve acontecer em dezembro para alguma das festas de fim de ano, começa a se formar a dúvida (que eu já sei a resposta), para onde eu vou?























08:43
Não entendi o título talvez falta de criatividade…
mas a experiência relatada com um certo sarcasmo foi muito divertida de ler… o anãozinho com sanfona um ícone auehuhe…