Enquanto muitos jovens fogem do compromisso do matrimônio, 6 semanas atrás nadei contra a maré e levei comigo uma jovem incauta. Falei da festa e agora quero falar do dia-a-dia, só que sem a Olga Bongiovani.

Acredito que no casamento deve haver um período de adaptações e descobertas, ao menos nesses 50 dias rolou muito disso, muito mesmo. Mal-humor matutino foi uma das minhas descobertas, porém, nada que um café da manhã bem preparado e uma boa dose de carinho não resolva. Já o fato de eu dormir no travesseiro dela, ignorando totalmente a existência de um travesseiro para mim, é uma das coisas que ela tem que lidar, todas as noites. Na verdade, todo o processo de dormir junto foi uma re-descoberta pois, por mais vergonhoso que seja, por 24 anos eu tive uma cama de solteiro e nas vezes que dormimos juntos nessa cama, sinceramente, não contam como experiência já que mal tínhamos uma lado da cama para escolher… … talvez por isso essa minha mania de dormir no travesseiro dela.

Bem, depois da lua-de-mel, ainda passamos pela primeira vez como família, pelo Natal e Ano Novo. Já que minha senhora no momento está de férias, aproveitamos o tempo livre para arrumar o castello amarillo, apelido que demos para nosso sobrado. Ainda estamos arrumando a decoração e cuidando do jardim, mas já está muito mais aconchegante. Confesso que nos primeiros dias foi estranho pois não parecia que estávamos na nossa casa, era um lugar diferente, quase como estar visitando aquela sua tia chata que tem o sofá fedido. Não, nosso sofá não fede.

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Por mais que nos víssemos todos os dias, depois de casado as coisas são diferentes, mas não é pior, não senhor. Ter a oportunidade de preparar o café da manhã ou o simplesmente fazer por ela uma coisa que ela não gosta (lavar a louça, por exemplo) é bem gratificante. Sempre que possível, fazemos compras juntos, mas as vezes ela se aventura sozinha no supermercado e acaba trazendo algumas coisas que eu nem sonharia em comprar, transformando um simples lanchinho de sábado à tarde num apetitoso banquete. Okay, nem tanto, mas talvez eu nunca tivesse provado salame (true) e torcia o nariz para aquela maionese de molho tártaro e ela é realmente deliciosa.

É claro que tem algumas coisas ruins e isso é perfeitamente normal, mas sinceramente, se eu for colocar tudo numa balança, as coisas boas somam muito mais, por isso, se um dia me perguntarem se vale a pena, vou dizer que “sim, com certeza vale muito a pena!”.



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