Abra seu coração

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Pouco mais de duas semanas atrás eu estava voltando de um bar com dois amigos. Como um deles não era da cidade, aproveitamos a oportunidade para apresentar para ele o cachorro quente com vina, iguaria de Curitiba e tal. Dois prensados com frango completos, o meu sem batata palha por que sim.

Os lanches ficaram prontos e estávamos lá, rebatendo a embriaguez e discutindo sobre desfechos de discussões com mulheres. Um dos caras estava com a bola e fazia a conclusão, de como no final algumas merdas acabam ajudando a fortalecer a união ou como o diálogo é importante … quando percebeu que havia um outro cara ouvindo nossa conversa atentamente e se mostrando bastante interessado, tentou uma aproximação para incluir o cara no assunto.

Estendeu o punho para um fist bump, “não concorda bro?”

Alguns dias e depois de contar essa história para algumas pessoas, lembramos desse vídeo acima, que é a representação mais verossímil do que ouvimos aquela noite.

Entre segurar o riso sem entender o que acontecia e se comover pela situação do nosso novo amigo que tinha uma garrafa de tubão aos pés enquanto abraçava o skate e o cachorro quente, pegamos alguns guardanapos para ajudar o cara a se recompor e dar aquele apoio moral. Ouvimos a história de vida onde ele nos contou sobre a mulher que tinha largado, a filha de um ano a qual ele sentia muitas saudades e como a vida era difícil, mas mais difícil ainda seria ficar sem o rolê com os amigos.

Duas semanas se passaram e fizemos um churrasco na república, coisa pequena e simples, alguns amigos e a namorada de um deles avisa: “vou levar uma amiga”. Na manhã seguinte ela precisava ir trabalhar, juntou suas coisas e hey, vamos manter contato, me adiciona no Facebook. Algumas horas depois eu estava bebendo meu café, fazendo o recon e, olhando algumas fotos, me surpreendi com alguém que eu poderia conhecer. Não tive certeza, então fui perguntar para quem estava no dogão comigo.

Amigos, quais as chances? Quais eram as chances de eu encontrar a mulher desse cara?

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Da visita do chinês

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Então se finda o short travel assignment do chinês. Em três meses convivemos eu e os colegas de labuta com os arrotos ocasionais, o tênis sem meias tal qual um praticante de rolezinho, o desapontamento por não trabalharmos 14 horas por dia e atitudes que despertavam no mínimo curiosidade.

Entre sessões de treinamento, almoços e outras experiências compartilhadas, nosso convidado demonstrava grande interesse em aprender algumas palavras de nosso idioma. ‘Bom dia’, ‘obrigado’ e ‘por favor’ foram bem recebidas, mas como bons camaradas, tratamos de ensiná-lo também algumas gírias e palavrões e ele gostou mesmo foi de aprender ‘falou’, ‘seu troxa’ e ‘cuzão’. Maturidade e profissionalismo, a gente vê por aqui.

E dos dias que compartilhamos com o estrangeiro, certamente o mais memorável para minha pessoa foi a primeira sexta-feira, a qual o levamos para almoçar em uma churrascaria. O rapaz abraçou a oportunidade e tirou fotos com todo garçom que passou com um espeto de carne, fez pose com ‘V de vitória’, sparrow face e tudo o que se sentiu no direito de fazer. Durante o processo, acumulou uma montanha de carne no prato e depois, ao experimentar cada um dos diferentes cortes, descobriu-se apaixonado pelo coração de galinha. Não deveria ter sido uma surpresa, mas depois de tanto empanturrar-se de carnes e sem ter dispensado o buffet, a tarde repleta de arrotos e uma generosa soneca sentado em frente ao computador foi vista com espanto por todos.

Como se eu nunca tivesse ficado imprestável numa sexta-feira depois de comer feito um chinês numa churrascaria.

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